Gabinetes da ALMT estão vazios um dia após divulgação de vídeos de políticos recebendo dinheiro

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Os gabinetes e corredores da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) estavam vazios na manhã desta sexta-feira (25), após o Jornal Nacional exibir vídeos que mostram deputado e ex-parlamentares de diversos partidos recebendo dinheiro vivo. A TV Globo teve acesso, com exclusividade, às imagens que foram entregues pelo ex-governador de Mato Grosso Silval Barbosa (PMDB) ao Ministério Público Federal (MPF).
A reportagem percorreu o prédio da Assembleia e não encontrou nenhum deputado na Casa de Leis, apenas um assessor do gabinete do deputado estadual Gilmar Fabris (PSD), que afirmou que o parlamentar estava na ALMT. Nos demais gabinetes, apenas alguns responsáveis pelo atendimento ao público foram encontrados.
Os vídeos entregues por Silval Barbosa ao MPF foram gravados pelo então chefe de gabinete do ex-govenrador, Silvio César Corrêa de Araújo, que seria o responsável por distribuir o dinheiro. De acordo com Silval, os valores pagos aos então parlamentares eram de esquemas de propina no estado.
As imagens mostram Sílvio Corrêa entregando maços de dinheiro ao então deputado estadual e atual prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PMDB), ao deputado estadual José Domingos Fraga (PSD), ao atual deputado federal Ezequiel Fonseca (PP), e aos ex-deputados estaduais Alexandre Cesar (PT), Hermínio José Barreto, o Jota Barreto (PR), e Luciane Bezerra (PSB) – que atualmente é prefeita de Juara, a 690 km de Cuiabá.
À reportagem, Emanuel Pinheiro alegou que não fez nada ilícito e que vai comprovar isso na Justiça. Já o deputado estadual Oscar Bezerra (PSB), marido de Luciane Bezerra, disse que ela recebeu dinheiro para quitar dívidas de campanha eleitoral. O advogado de Sílvio Corrêa disse que não pode comentar porque a delação está sob sigilo. José Domingos Fraga e Jota Barreto não foram localizados.

Os vídeos fazem parte da delação premiada de Silval, que foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no último dia 9. O ex-governador foi preso em 2015 pela Operação Sodoma e é suspeito de chefiar uma organização criminosa que cobrava propina de empresas em troca de incentivos fiscais. Em junho deste ano, Silval começou a cumprir prisão domiciliar e é monitorado por tornozeleira eletrônica.
Abertura de inquérito
Hoje, o ministro Luiz Fux, do STF, autorizou a abertura de um inquérito para apurar a existência de uma organização criminosa no alto escalão do governo do Mato Grosso entre 2006 e 2014. A investigação vai apurar a existência de crimes apontados nas delações premiadas do ex-governador Silval Barbosa, de três parentes dele e de um auxiliar. Todos fecharam acordos com o Ministério Público Federal no âmbito da Operação Ararath.

Por G1 MT

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