Filho de Silval teria usada caneta espiã para gravar Deputado Wagner Ramos

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Rodrigo Barbosa, filho do ex-governador Silval da Cunha Barbosa, foi o responsável por guardar os equipamentos utilizados para gravar deputados estaduais em situações de possíveis crimes. A entrega de uma câmera de vídeo e uma caneta de gravação de áudio e vídeo, conhecida com caneta espiã, esteve entre os procedimentos feitos pelo filho do ex-governador depois que fechou acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal (MPF), como mostram protocolos obtidos pelo LIVRE.

A câmera foi utilizada pelo ex-chefe de gabinete Sílvio César Corrêa Araújo – também delator – para filmar os parlamentares recebendo valores que seriam de propina. De acordo com Silval Barbosa e os demais colaboradores, os deputados receberam dinheiro para aprovar projetos do governo na Assembleia Legislativa e também para não abrir investigações contra membros do executivo.

Um recibo de protocolo do MPF, assinado pela procuradora da República Vanessa Cristhina Zago Scarmanani em 25 de agosto do ano passado, mostra que foi Rodrigo quem entregou o equipamento utilizado por Sílvio para filmar os deputados que exerceram mandato entre 2011 e 2014.

Reprodução/O Livre

Protocolo MPF Rodrigo Barbosa câmera espiã
Silval teria acordado o pagamento de R$ 600 mil a cada um dos parlamentares que colaborassem na aprovação do programa MT Integrado, que incluía obras da Copa do Mundo de 2014. O pagamento de R$ 50 mil mensais foi filmado em uma das ocasiões por Sílvio Corrêa e os vídeos vieram a público em agosto de 2017 – 10 parlamentares aparecem recebendo maços de dinheiro.

Rodrigo Barbosa também entregou ao MPF a caneta espiã utilizada por ele mesmo para gravar o deputado Wagner Ramos (PSD) em uma conversa sobre valores supostamente pagos a deputados. O protocolo de 28 de agosto de 2017 mostra que Rodrigo entregou a caneta e também o carregador da câmera utilizada por Sílvio Corrêa naquele dia.

A gravação feita com a caneta mostra Wagner Ramos e o filho de Silval falando sobre o alto valor pedido inicialmente, R$ 15 milhões de acordo com Rodrigo, e a negociação acaba chegando a valor menor: R$ 10 milhões.

Em outra conversa, que Rodrigo também teria gravado com a caneta, o valor teria sido reduzido para R$ 7 milhões. O dinheiro seria pago a membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Copa do Mundo para a elaboração de um relatório favorável a Silval.

Reprodução/O Livre

Protocolo MPF Rodrigo Barbosa caneta espiã
Anteriormente, Wagner Ramos afirmou que a narrativa feita por Rodrigo está distorcida da realidade e que defenderia sua honra e a probidade de seu mandato na Justiça.

Os crimes são investigados na Operação Ararath, que apura desvios cometidos na administração estadual e a lavagem do dinheiro ilegal.

Reprodução/O Livre

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Protocolo MPF Rodrigo Barbosa câmera espiã

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